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O Clube

Da paixão hereditária à construção do Arruda: 68 anos de história viva do Santa Cruz

Publicado: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017, às 06:18
Por: Daniel Lima

A vida do ex-presidente João Caixero se confunde com a história do Santa Cruz. São 68 anos, mais da metade da idade do clube, acompanhando com os próprios olhos cada passo do time do povo. Uma paixão inexplicável e hereditária que segue viva até os dias de hoje. Nasceu desde a construção do maior símbolo da união entre a instituição e seus seguidores. Em 1965, a prova gigante do amor de uma torcida por um time de futebol: a construção de um colosso. Foi preciso de doações para tirar o Arruda do papel. 

Tudo nasceu com o apoio dos torcedores. O espaço em que hoje funciona o parque aquático do clube ficou tomado de tijolos, cimento, areia, ferro e, principalmente, amor. À época, João Antônio Caixero de Vasconcelos Neto, hoje conselheiro do Santa, ajudou a fincar a base da nova casa do clube. Uma história que precisa ser lembrada para os mais jovens. Muitos não têm noção do tamanho do esforço e da mobilização dos tricolores. 

Há quase sete décadas respirando o Santa Cruz, Caixero acumula muitas glórias, inúmeras lembranças, títulos, uma série de jogos memoráveis e, claro, momentos de alegrias e tristezas de sobra. Trajetória que alinha-se com a do clube. Uma história viva de corpo e alma, com lembranças inesquecíveis e fantásticas. A paixão do conselheiro é mais forte que o seu próprio coração.

Testemunha ocular da história do clube, João Caixero teve uma vida dedicada ao Santa Cruz. Chegou até ser presidente do clube. Sempre teve uma entrega semelhante à de milhares de torcedores corais. 

SENTIMENTO
“O Santa Cruz é tudo. Incorpora o corpo, a alma, o sentimento e a família. Às vezes, até supera momentos da família. Eu lembro que no batizado da minha filha aconteceu uma coisa muito interessante. Havia um jogo do Santa Cruz. Eu saí de lá para a partida, deixando as festividades de lado. Ai você vê como o envolve o sentimento. Não foi bom para a família, mas o sentimento falou mais alto naquele momento. Não só sou eu que faço isso, é a torcida toda”.

HEREDITARIEDADE
“Meu pai foi o tutor esportivo. Ele me levava para o jogo pela mão. Na época, o Santa não tinha estádio e jogava fora. Fui a muitos jogos com ele. Tudo nasceu pela influência do pai para o filho. Passei isso para as minhas filhas, mulher e neto”. 

INFLUÊNCIA
“Eu não trabalho para o presidente, não me envolvo com processo político. Eu me envolvo com o Santa Cruz, trabalho pela agremiação e instituição. Isso me faz ter um bom trânsito. Não tenho problema de relacionamento. Tenho meus posicionamentos. Eu abraço um grupo. Essa minha participação no clube nasceu pelo relacionamento com Aristófanes de Andrade, que era muito envolvido com o patrimônio do clube”.

PATRIMÔNIO
“Sempre dizia que se a gente não tratasse de patrimônio não teríamos um time, um clube. O time de futebol precisa de lugar para ter seu treinamento. A legislação obrigava ter seu próprio campo. Doei jornal velho, garrafas vazias, ferro velho, tijolo e acompanhei todo o encaminhamento do Arruda. A torcida envolvia o clube. Em todos os momentos, ela esteve presente. E isso tudo me fez ter um vínculo patrimonial no clube”. 

CONQUISTAS
“Tem vários anos marcantes. Participei da grande festa de 1957 (supercampeonato). Uma coisa espetacular. Estive presente no penta (1969), com James Thorp (ex-presidente). Foi uma figura que marcou de uma forma que não pode ser esquecida. Um grande dirigente do clube. O penta deu outra fase ao clube, um momento glorioso que vivemos juntos. Vivi o bi-supercampeonato (1975 e 1976). Na época, fomos quarto colocado no Campeonato Brasileiro. Outra grande marca. Tivemos outro grande momento em 83, o Tri-supercampeonato. Um título inédito do futebol pernambucano. Tivemos a conquista recente da Copa do Nordeste”. 

TREINADORES
“Dois marcaram. O primeiro foi Evaristo de Macedo. Ele absorvia tudo. Tomava conta do futebol. Não deixava o profissional falar de salário. Quem falava e cobrava era ele. Seu posicionamento administrativo era extraordinário, sem falar da qualidade técnica e honradez. O outro é Carlos Alberto Silva. Também teve uma presença estrondosa no Santa Cruz. Tinha uma personalidade parecida com a de Evaristo. Era centralizador e administrador”. 

JOGADORES
“Tiveram vário jogadores. Meneval e Birunga nos anos 60. Também teve a safra da casa, com Ramon, Nunes, Givanildo Oliveira, Fernando Santana, Luciano Veloso, Cuíca. Recentemente, Dênis Marques. O próprio Mancuso também foi ídolo. São muitos. Zé do Carmo, Joel Mendes, Bruno Veloso, Tiago Cardoso. São nomes que estão na história do clube”. 

TORCIDA
“A torcida é tudo. O Santa Cruz não seria o que é hoje se não fosse a torcida, que sempre se faz presente em todos os momentos do clube. E daí a razão de ser grande. O clube tem condições de receber só a sua torcida. Lota o estádio e ainda fica gente fora. Basta trazer o bom que a torcida abraça. O torcedor é aquele que luta, grita e chora pelo clube”. 

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Foto: CoralNET

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