Coralnet.com.br - Página principal

Com o Santa Cruz das arquibancadas para o Mundo - desde 1996

Plantão de Notícias

8,58333333333333

Classifique:

O Clube

Da glória à queda: tsunami de erros mancha o ano do Santa Cruz

Publicado: quinta-feira, 17 de novembro de 2016, às 20:34
Por: Daniel Lima

As conquistas do Santa Cruz no primeiro semestre da temporada empolgaram a torcida. Euforia ainda maior com o início arrasador do time no Campeonato Brasileiro da Série A, divisão que o clube não disputava há dez anos. Ao término da segunda rodada, os tricolores estavam no topo da tabela e nas manchetes do Brasil, graças ao brilho do atacante Grafite, que nos primeiros três jogos marcou seis gols. A alegria que os tricolores sentiram naquele momento não durou muito e terminou com a sina do rebaixamento.

O portal CoralNET acompanhou mais um ano do Santa e estamos trazendo para o torcedor toda a retrospectiva da temporada 2016, marcada por títulos, disputa inédita de uma competição, volta à Série A após uma década, trocas no comando, erros na montagem do elenco, problemas internos, crise financeira e abandono da torcida. 

TÍTULOS

O grito de "É campeão" foi entoado duas vezes seguidas num curto espaço de tempo. Durante o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste, o técnico Milton Mendes substituiu Marcelo Martelotte e o time deu uma arrancada espetacular para conquistar o inédito Nordestão (em cima do Campinense-PB) e uma semana depois o bicampeonato estadual (sobre o Sport Recife). 

SUL-AMERICANA

A volta do Santa Cruz para a Copa do Nordeste foi em grande estilo. Após não disputar o torneio regional em 2015 - perdeu o terceiro lugar do estadual para o Salgueiro -, o clube sagrou-se campeão este ano e automaticamente garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana 2016. Disputando pela primeira vez na história uma competição internacional, os tricolores eliminaram o Sport Recife na 2ª fase e caíram para o Independiente Medellín, da Colômbia, logo nas oitavas de final.

QUEDA DA INVENCIBILIDADE

O Santa começou a Série A surpreendendo, mas o tropeço em casa para o rival Sport Recife foi bastante sentido no Arruda. Além da derrota por 1 a 0, na 5ª rodada, a invencibilidade dos corais de 18 jogos na temporada caiu. Para piorar a situação, as coisas não andavam bem internamente sob o comando do técnico Milton Mendes.

TSUNAMI

Apesar de ser um dos treinadores mais vitoriosos que dirigiu o clube, Milton Mendes causou confusões internas e nitidamente perdeu o controle do elenco. Existiram várias queixas dos atletas quanto a sua forma de cobrar. Duro nas palavras, acabou colecionando brigas de relacionamento com as peças principais da equipe, além de discussões com funcionários e membros da comissão técnica.

Se não bastassem as intrigas, muitos pedidos do técnico não foram atendidos pela diretoria, exclusivamente por falta de verba. Sem um Centro de Treinamento, Mendes exigiu algumas melhorias internas. O clube investiu em estrutura, como a compra do sistema Catapult - GPS individual para medir o desempenho dos jogadores -, mas encontrou dificuldades na montagem do elenco. O treinador cobrou reforços mais experientes, no entanto o orçamento financeiro limitado atrapalhou os planos no Arruda e restou trazer jogadores num nível técnico muito distante da Série A. E as contratações indicadas por ele não vingaram (Roberto, Mário Sérgio, Wellington Silva, Jadson, Marcinho e Fernando Gabriel) e o vice-presidente Constantino Júnior admitiu que o clube ficou refém das solicitações do técnico.

HAJA JOGADOR!

Os números são assustadores: ao todo, 53 jogadores, quase cinco times, compuseram o grupo do Santa Cruz na temporada. Desses, 29 foram contratados este ano. No decorrer do campeonato, 18 deles deixaram o clube - emprestados ou contratos rescindidos. Além de muitas contratações, o planejamento da direção coral foi renovar com a maioria do elenco que conquistou o acesso à Série A em 2015.

MUDANÇAS NO COMANDO

Só nesta temporada, três técnicos comandaram o Santa Cruz. Marcelo Martelotte, que conquistou o acesso à Série A no ano anterior, não resistiu à má campanha (classificação apertada para as oitavas de final do Nordestão e baixo desempenho no estadual) e foi demitido no dia 24 de agosto (15 partidas disputadas com seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas. 48,8% de aproveitamento). Logo depois, veio Milton  Mendes (conquistou dois títulos e iniciou muito bem o Brasileiro), que fez um trabalho de altos e baixos. Durante a Série A, pediu para deixar o clube (12 vitórias, nove empates e 11 derrotas, em 32 jogos. Aproveitamento de 46,87%).

Após o adeus de Mendes, a aposta da diretoria foi contratar Doriva. O treinador teve uma passagem curta e praticamente não teve culpa pelo descenso. Encontrou o clube cheio de problemas internos e tinha poucas opções no elenco. Seu desempenho esteve longe de ser bom em pouco mais de dois meses no comando: foram 16 partidas no total, com três vitórias, dois empates e 11 derrotas. Um aproveitamento de 22,91%.

Antes da sua saída, Doriva discutiu com alguns torcedores após a derrota por 1 a 0 para o Botafogo-RJ. Depois, ele pediu desculpas pela atitude. Além disso, criticou a falta de mobilização da diretoria para trazer a torcida e se mostrou chateado com os baixos públicos nos jogos do time na Série A. Sem técnico, a solução foi caseira. O auxiliar técnico Adriano Teixeira foi promovido e fica no comando até o fim da Série A (ainda restam três rodadas para o término da competição).

CRISE FINANCEIRA

As finanças apertadas do clube atrapalharam o planejamento. Atualmente, são três meses de salários atrasados do elenco e seis meses dos funcionários, que chegaram a entrar de greve. A situação é tão delicada que os jogadores mais rodados do grupo, como Danny Morais, Léo Moura e Grafite, se solidarizaram para ajudar os trabalhadores com dinheiro e doações de cestas básicas. Além disso, os atletas formados nas categorias de base do clube sofrem bastante no dia a dia.

Maior nome do elenco, o atacante Grafite expôs a crise financeira do Santa. Segundo ele, alguns jogadores estavam sem dinheiro para ir ao treino de táxi e quem ajudava eram os líderes do grupo.

TORCIDA

Aos poucos, a campanha do Santa Cruz na Série A foi afastando a torcida. Em 16 jogos como mandante, sendo 15 deles no estádio do Arruda, a média de público é de apenas 11.267 torcedores por partida. O número de sócios do clube também caiu bruscamente. No mês de agosto, eram 11 mil adimplentes, em setembro esse número diminuiu para 8,5 mil e atualmente despencou para apenas 6 mil. Vale ressaltar que a meta do programa "Sou Santa Cruz de Corpo e Alma" era 20 mil sócios em dia até o fim deste ano.

Os públicos no Arruda foram aquém do esperado e por isso o motivo de rendas baixas. Não é à toa que contra o Atlético/PR o clube teve um prejuízo de mais de mil reais para pagar os custos operacionais do estádio. Na ocasião, apenas 2.471 torcedores estavam presentes na vitória do time coral por 1 a 0, no dia 14 de setembro. A situação financeira é tão desesperadora que a diretoria, ciente da pouca demanda, vendeu o mando de campo do jogo diante do Corinthians/SP para a Arena Pantanal, em Cuiabá, pela 30ª rodada.

Foto: CoralNET

Compartilhe:

Da glória à queda: tsunami de erros mancha o ano do Santa Cruz

* Os comentários são de total responsabilidade dos internautas. Não toleramos mensagens contendo palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.