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Matéria Especial

Natan: O duro caminho entre o departamento médico e o retorno aos gramados

Publicado: quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Por: CoralNET

O meia Natan tem apenas 21 anos de idade e consegue despertar ao mesmo tempo dois sentimentos conflitantes na torcida do Santa Cruz: confiança e desconfiança. Parece até um erro de digitação, mas não é.

Quando está em campo, o atleta é sempre decisivo, arranca aplausos das arquibancadas e mostra que é a solução para os problemas de criatividade do Mais Querido. Porém, esse sentimento sempre é abalado pela incerteza de um futuro promissor quando o mesmo jogador acusa uma lesão.

Essa rotina tem sido parte da vida profissional de Natan no Santa desde que chegou nas categorias de base do Arruda. Neste momento, inclusive, o meia está novamente em tratamento médico para se curar de uma lesão no músculo adutor da coxa.



Ciente da importância de Natan para o Mais Querido e do carinho que todos - imprensa e torcida - tem por ele, o site CoralNET entrevistou dois profissionais da comissão técnica tricolor para tentar entender melhor o que se passa com ele.

OBS: O jogador foi procurado, mas não quis falar sobre o assunto.

LESÕES

Apesar do repetitivo histórico de ausências de Natan dos jogos do Santa, o médico Wilton Bezerra explicou que a atual lesão dele foi a primeira contusão efetiva de sua carreira.

"Na verdade a contusão que o Natan sentiu logo após a final do Campeonato Pernambucano foi a primeira que constatamos. Foi uma lesão de grau 2 na coxa que indicava um longo período de repouso. Nas demais ocasiões que ele ficou fora do time, foi apenas uma forma que encontramos para prevenir a musculatura do atleta", disse.



FRAGILIDADE

Essa preocupação da comissão técnica com o jogador acontece pelo fato de Natan ter um problema sério com a recuperação da sua musculatura. Ao contrário do que acontece com outros atletas, o meia demora mais tempo do que o habitual para regenerar os seus músculos.

Conforme explicou o preparador físico Jaílton Cintra, do ponto de vista físico e fisiológico o meia não tem problemas e apresenta um rendimento excelente nos testes. Porém, logo após as atividades físicas, os níveis sanguíneos de creatina quinase (CK) dele, que indicam a possibilidade de uma contusão, estão sempre elevados.

"Nos testes de força, salto, velocidade e todas as baterias de exame que fazemos o Natan sempre vai bem. O problema é com a regeneração dos músculos. Tanto que o departamento médico já está fazendo estudos sob o aspecto genético dele para tentar diagnosticar o caso melhor", falou.

Jaílton exemplificou a situação com o processo de recuperação do atleta de sua atual lesão na coxa.

"Quando identificamos a contusão que ele tinha no músculo adutor, solicitamos que o atleta passasse 60 dias em repouso e ele cumpriu esse prazo, porém, quando fomos fazer o exame novamente, a lesão não havia diminuído nada. Realmente é um caso a se estudar. Para se ter uma idéia, as dores que ele sente sempre são em locais diferentes".



TRATAMENTO

O médico Wilton Bezerra lembrou que no ano passado o atleta chegou a ir para o Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica do São Paulo, conhecido como Refis, que tem os melhores especialistas no assunto, porém, nada foi constatado.

"Solicitamos ao São Paulo apoio no diagnóstico tanto de Natan como do volante Léo, mas nada fora do normal foi constatado na musculatura desse atleta. O grande problema é sempre na recuperação muscular dele, que é mais lenta. Apesar dele ser muito comprometido com os tratamentos", disse.

Segundo o preparador Jaílton Cintra, um dos fatores que dificulta a recuperação desse atleta é o seu metabolismo que é muito acelerado. "Nesses casos a pessoa se torna agitada, mesmo tendo uma personalidade calma. O jogador acaba dormindo tarde e pouco, oque é péssimo para ele, já que os músculos sempre se recuperam mais rápido quando o corpo está em repouso."

Jaílton complementou: "Além disso tudo, o Natan sente pouca fome e perde peso fácil, por isso o departamento nutricional do clube tem sempre que estar atento com a dieta dele. Antes ele morava na concentração do clube e agora ele está residindo com os seus pais. Tudo isso para aumentarmos o acompanhamento alimentar do jogador", disse.



CONDIÇÕES ESPECIAIS

Ciente de que precisa ter atenção especial com essa "joia do Arruda", a comissão técnica coral procura sempre diminuir a carga de trabalho do jogador, como explicou o médico Wilton Bezerra.

"Guardada as devidas proporções, o Natan precisa de tratamento diferenciado assim como Kaká e o Alexandre Pato. Quando ele treina dois períodos, por exemplo, ele acaba sentindo mais do que os outros. Sabemos que isso é perigoso e estamos sempre monitorando o rendimento dele."



DIVISÕES DE BASE

O preparador Jaílton Cintra lamentou a situação do jogador e disse que isso poderia ser atenuado hoje em dia se os tratamentos tivessem começado ainda nas divisões de base, quando o meia ainda estava em formação.

"Infelizmente os atletas que subiram da base na época de Natan, Memo, Renatinho e Éverton Sena chegaram ao departamento profissional com déficit de peso e massa muscular e precisaram de uma atenção especial. Se tratássemos isso desde cedo, o nível seria outro e eles já chegariam prontos para jogar", disse.

E continuou: "Quando um atleta chega no profissional nós precisamos passar 1, 2 ou até 3 anos trabalhando com ele para que o mesmo deixe de ser uma aposta e vire uma realidade".



RETORNO

Por fim o médico Wilton Bezerra disse que o retorno de Natan aos gramados ainda é imprevisível, mas deu esperanças para a torcida coral.

"Só vamos liberar o atleta quando ele estiver 100% pronto para voltar. Ainda é difícil saber quando isso irá acontecer, mas estamos trabalhando com ele para isso. Ele tem apenas 21 anos, é um atleta diferenciado e terá um grande futuro no futebol. Sabemos que esse distúrbio metabólico vai ser sanado e em breve ele voltará a dar alegrias à torcida", finalizou.

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