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Matéria Especial

O Canhão do Arruda: conheça a história do craque Paraíba

Publicado: quarta-feira,23 de janeiro de 2008
Por: CoralNET

Em 1957 oito times disputaram o Campeonato Pernambucano. O torneio foi dividido em três turnos, sendo o Santa Cruz campeão do primeiro, o Náutico do segundo e o Sport do terceiro. Pela primeira vez três clubes decidiam um Campeonato Estadual o que foi chamado pela imprensa na época de Supercampeonato (em 1915 Flamengo, Santa Cruz e Torre também decidiram o título, porém, como não estava previsto no regulamento a final entre três equipes, não se considera um Supercampeonato).

Na decisão entre os três finalistas o Náutico empatou com o Sport em 1 x 1 e o Santa Cruz venceu seus dois confrontos - 3 x 1 em cima do Timbu e 3 x 2 contra o Leão - sagrando-se o primeiro Supercampeão do Estado, feito que se repetiu em 1976 e 1983.

Na época os times da capital investiram forte em reforços e montaram verdadeiras seleções, tanto que no dia 05 de maio de 1957 o Diário de Pernambuco estampava nas suas folhas uma crônica de Fausto Neto que citava "a corrida louca e desenfreada dos clubes grandes desnorteou financeira e tecnicamente o futebol local".



Paraíba (círculo) com o time Supercampeão de 1957

Além das estrelas da equipe coral, como o treinador argentino Alfredo Gonzalez e os atletas Lanzoninho, Rudimar, Faustino, Marinho, Sidney e Aníbal, outros jogadores também foram marcantes na conquista tricolor. O atacante Paraíba, que marcou nove tentos durante a competição foi um deles.

No último dia 20, quando o Santa apenas empatou com o Vera Cruz em Vitória de Santo Antão, Paraíba completou 77 anos de idade e, apesar do momento difícil que o Mais Querido vive, o ex-atacante ainda vê esperanças de uma reviravolta. "A queda para a terceira divisão foi anunciada desde o final dos anos 80. O uso da imagem do clube para fins políticos e pessoais, a contratação de jogadores que não têm nenhuma identificação com o clube e a região, e principalmente a falta de investimento na base, que é a única solução para mudarmos o rumo da nossa história. Estamos precisando dos velhos olheiros, quem me trouxe para o Santa foi Edésio Leitão, que me viu jogando pelo ABC/RN".

Sebastião Tomaz de Aquino nasceu em Ingá/PB em 1931. Chegou ao Arruda aos 18 anos de idade e passou cinco temporadas vestindo a camisa tricolor. Logo depois se transferiu para o São Paulo/SP, teve uma passagem pelo Salgueiros/Portugal e voltou ao Mundão em 1957 para conquistar seu primeiro título no clube que aprendeu a amar desde criança.



Paraíba sendo homenageado no Arruda em 1983 por Zé do Carmo

Foi apelidado como o "Canhão do Arruda" pelo chute forte que tinha. Vestindo o manto coral, marcou nada menos que 105 gols e ficou eternizado como um dos maiores craques da história do clube das três cores.

Além das passagens marcantes pelo São Paulo e pelo Santa Cruz, Paraíba ficou marcado por outro acontecimento em sua história. Em 1966, quando trabalhava como guarda civil no Aeroporto dos Guararapes, achou uma maleta perdida no saguão e resolveu levar a mesma para a seção de achados e perdidos. Após apenas dois passos a maleta explodiu, matando diversas pessoas e deixando o ex-jogador sem uma das suas pernas.

Mais tarde se descobriu que a explosão havia sido um atentado terrorista contra a campanha do presidente Costa e Silva.



Clique e coloque um papel de parede do Canhão do Arruda no seu computador

Passados 42 anos da tragédia, quem pensa que a deficiência afastou Paraíba do Mundão está enganado. Residindo com sua família no bairro do Ipsep (4 filhos, 8 netos e 2 bisnetos, todos tricolores), Sebastião ainda frequenta os jogos do Santa Cruz sempre que consegue. Hoje não pode mais ajudar o time em campo com gols como em outras épocas, mas continua das arquibancadas empurrando o Mais Querido do jeito que consegue: Torcendo.

"Edinho não é Cristo para tirar o clube desta situação do dia para noite. É preciso muito trabalho, união daqueles que amam o Santa. Será difícil demais para Zé do Carmo montar uma boa equipe de forma rápida e com uma torcida exigente, a qual ele conhece bem; mas Deus ajuda a quem trabalha. É muito triste para eu ver o Tricolor nesta situação. Torço para ver o time que eu amo na elite do futebol Brasileiro, aonde o deixei quando parei", finalizou Paraíba.



Paraíba nos dias de hoje entre familiares

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