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Matéria Especial

Entrevista com o volante Neto

Publicado: sexta-feira,8 de outubro de 2004
Por: CoralNET

Antônio Santana de Souza, 1,77m e 71kg, é o volante Neto. Natural de Miguel Calmon, cidade do interior da Bahia, o jogador está há pouco mais de um ano no Arruda e apesar das várias críticas que recebeu logo após sua chegada, deu a volta por cima e hoje é titular absoluto do time.

Passou por um momento difícil no meio do Campeonato Brasileiro deste ano, quando equivocadamente acabou suspenso por 120 dias dos gramados pelo STJD. Provado sua inocência, Neto foi liberado para voltar a atuar após 50 dias de suspensão.

O repórter Jota Santana da CoralNET entrevistou o raçudo volante logo após o treino.

Como foi o início da sua carreira?

Comecei jogando futebol amador em 1995 no interior do estado Bahia, um empresário me viu, gostou do meu jogo e me levou para o Fluminense de Feira de Santana, depois fui contratado pelo Palmeiras do Nordeste e desde 2003 sou jogador do Santa Cruz.

Você tem algum ídolo no futebol?

Tenho alguns que chamam atenção pela qualidade em campo, como Mauro Silva, que foi campeão do mundo em 1994, mas atletas como Mauro Galvão, além de grandes jogadores em campo, são grandes em caráter, são exemplos a serem seguidos pelos mais jovens.

Algum dia você pensou em jogar no Santa Cruz?

Sonhava em atuar em grandes clubes sim, porém nunca tive oportunidade, quando surgiu a chance de jogar no Santa não pensei duas vezes. Estou muito feliz aqui.

O que você sentiu quando chegou e constatou a grandiosidade do Santa Cruz (estrutura, torcida)?

Foi exatamente como eu imaginava, um clube de massa. Impressionei-me muito mas acredito que me adaptei rápido.



Qual foi o seu momento mais difícil no Santa?

Foi durante o Brasileiro da Série B de 2003, logo após minha chegada. Recebi muitas críticas de torcedores e da imprensa, mas superei tudo com minha força e personalidade. Hoje, tenho certeza que provei o meu valor.

Como você recebeu a notícia da sua punição de 120 dias?

Fiquei muito triste, foi um momento difícil, uma grande injustiça, mas sou evangélico e acredito que pra Deus tudo tem seu tempo. Apeguei-me mais ainda a Ele e me fortaleci espiritualmente. Aprendi muito fora de campo com torcedores e amigos. Hoje, passo essa minha experiência aos meus colegas, tento mostrar que o desespero não leva a nada e que só Deus determina o dia da volta da alegria.

Como você superou os 50 dias longe dos gramados?

Sofri muito, as pessoas diziam que não haveria chance de um novo julgamento, para provar minha inocência, já que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva estava envolvido em eleições internas. Hamilton, Roberval Davino e Diretoria do Santa me deram muita força e passei a trabalhar mais forte ainda. Agora estou livre e alegre atuando bem.

O fato de ser religioso lhe ajudou?

Com certeza! Acredito que o atleta tem que estar com o espírito renovado, pois, quando ele vem trabalhar com muitos problemas na cabeça, acaba sendo influenciado no seu rendimento pelos mesmos. Tenho sempre procurado colocar meus problemas na mão de Deus e Ele tem me ajudado muito. Isso me influência dentro de campo.



Depois do jogo da classificação contra o Santo André você chorou muito, o que significaram aquelas lágrimas?

Foi pura emoção mesmo, sentimentos bons que tive. Vi meus companheiros ralando dentro de campo e ajudei a eles da melhor forma. Quando vi o juiz apitando o final da partida só pensei na alegria que esses milhões de tricolores estariam sentindo proporcionada por nós. A emoção foi muito grande.

Roberval não lhe poupa elogios como atleta e como homem no grupo. Essa união de vocês tem influenciado?

Sem dúvida! Aqui tem prevalecido a união entre comissão e jogadores, nos olhamos de frente. Não colocamos pedra em problemas, sempre que estes surgem, nós sentamos juntos e resolvemos antes que cresçam. Muitos não acreditavam no nosso grupo, nos chamam de limitados, mas somos fortes e juntos fazemos a diferença.

Você guarda mágoa de quem lhe criticava?

Não, eu sempre absolvi bem as críticas, na época pedia a Deus força para encará-las como um incentivo. Nunca desisti e muito menos abaixei a cabeça. Eu sabia que o fruto viria no futuro, e hoje mostrei meu valor.

Como se senti um jogador que já foi chamado de perna-de-pau e hoje se mostra importante para o time?

Quando cheguei aqui no Santa, Chamusca disse logo que eu teria que entrar de frente, que precisava de mim no campo, e, apesar de não estar bem fisicamente, eu disse que estava pronto. Não iria ficar de fora nem fugir de um desafio. Demorei um pouco para me adaptar. Hoje em dia fico muito feliz quando aqueles que me vaiavam me param na rua para elogiar e pedir um autógrafo.

O que você espera do futuro?

Não é o momento de pensar no futuro ainda, só quero subir para a primeira divisão com o Santa Cruz, e depois pensar em ficar por aqui, pena que não vai depender só de mim.

Qual a mensagem que você deixa para o internauta da CoralNET?

Gente, não nos abandonem agora neste momento tão importante, precisamos da força e do incentivo de vocês para conseguirmos passar à próxima fase. Um abração a todos que fazem a CoralNET.

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