Coralnet.com.br - Página principal

Com o Santa Cruz das arquibancadas para o Mundo - desde 1996

Matéria Especial

Carlinhos: a bala do Arruda!

Publicado: sexta-feira,19 de maio de 2006
Por: Karlos Felipe

José Carlos da Silva, pernambucano, do Recife, 1,65m de altura, 58kg. Poderia ser qualquer um dos três milhões de habitantes da Região Metropolitana do Recife, mas os deuses do futebol lhe deram uma bola, um clube, três cores e tudo mudou. Carlos não era mais qualquer um, ele era agora ídolo de uma Nação, ele era Carlinhos Bala, do Santa Cruz.

No momento em que deixa o clube pernambucano, transferindo-se para o futebol do Sudeste do país, mais precisamente para o Cruzeiro, de Minas Gerais, é chegada a hora de relembrar a trajetória deste ídolo coral, mais um formado nas categorias base do Santa.

Uma história de vida semelhante a tantas outras, é assim a trajetória do Bala do Arruda. Menino pobre, que assim com qualquer garoto brasileiro, tinha no futebol sua principal diversão. Foi nas peladas no bairro de San Martin onde seu talento foi moldado, mas ainda faltava algo, faltava o futebol passar de brincadeira a caminho para o futuro.

Bala foi então treinar no América, mas as dificuldades existiam. O dinheiro para ir ao treino era curto e vinha com sacrifício, o pai do atleta não concordava, assim, Carlinhos tinha que ir escondido. Mas o esforço deu resultado e numa partida entre os juvenis de Santa e América, Bala chamou a atenção dos tricolores.

Já no Mais Querido, o jogador foi galgando espaço, até que em 2001 começou a ser melhor observado das arquibancadas. Não era difícil escutar um diálogo como esse entre torcedores: “Tem um menino que tá vindo do Junior que vai detonar”, “Qual o nome dele?”, “Carlinhos!”.

E o menino detonou de verdade pela primeira vez em um clássico, contra o Náutico, no Arruda. Usando sua principal característica, a velocidade, Bala fez os dois gols da virada tricolor por 2x1, o segundo aos 44 do segundo tempo, levando à loucura a parte coral do público que lotava o estádio.

Mas Bala ainda não era um jogador pronto. Era afobado, ineficiente, inexperiente e conseqüentemente criticado pela torcida. Como resultado disso, quando começou a Série A daquele ano, Bala foi emprestado ao rival Náutico, da Série B, onde fez uma dupla de sucesso com o atacante Kuki.

Terminado 2001, Carlinhos estava de volta ao Santa. Em 2002, fez alguns bons jogos, mas os defeitos permaneciam e ele acabou saindo mais uma vez, foi defender o Beira-Mar, de Aveiro, em Portugal, junto com o também prata-da-casa Marcelinho. Parecia ser mais uma história do prata-da-casa que despontou, mas não estourou, mais uma promessa. Mas, definitivamente, ser mais um não combina com a trajetória do Bala

O jogador ficou em Portugal até junho de 2004, quando retornou ao Santa, com a Série B já em andamento. Em sua reestréia, contra o Marília, Bala fez dois gols, sendo um deles um golaço de fora da área. A torcida então viu que Carlinhos não era mais o mesmo que deixara o clube em 2002, estava melhor.


Os gols foram surgindo e Bala foi tornando-se o ídolo maior da galera. Carlinhos começou também a sentir na pele aquele ditado “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. A festa dos gols era substituída rapidamente por críticas a pênaltis perdidos, qualquer maior jejum de gols, era seguido de especulações da torcida sobre falta de motivação e respostas contundentes do jogador, mas bastava a bola balançar as redes e tudo voltava a ficar bem.

Veio 2005 e com ele a glória. Bala começou o ano mal, sem marcar nas sete primeiras partidas, até que, contra o Petrolina, no Arruda, o atleta desencantou e não parou mais. Foram 12 gols no estadual e três na Copa do Brasil, o Santa conquistou o título estadual, prometido por Bala, encerrando o jejum de conquistas e a torcida gritou: “Caaarrllliiiiinnnhhooosss Bala! Bala!”.

Faltava a Série B, faltava, pois com um futebol arrasador Carlinhos liderou o Santa Cruz em uma campanha que praticamente não viu rivais. Quando não fazia gols, dava passes, brigava na defesa, era um faz tudo. Não poderia ser diferente, o Santa conseguiu o acesso à elite e Bala terminou como vice-artilheiro, mais uma vez aclamado pela torcida.

À essa altura, todos já estavam acostumados a boatos que diziam que Bala já estava vendido, que o atleta sairia. Era algo natural, mas enquanto esse momento anunciado não chegava, veio 2006 e vieram mais gols, muitos gols. Dos 45 marcados pelo Santa até agora, 22 foram de Carlinhos, quase 50%. Bala terminou como artilheiro do Pernambucano, impressionantemente, o primeiro titulo desse tipo na carreira do jogador.


O Santa acabou como vice-campeão, perdendo o título na sempre incerta loteria dos pênaltis, mas Bala foi disparado o melhor jogador. Veio o Brasileiro e ninguém ainda havia aparecido para leva-lo, resultado, mesmo com o Santa fazendo uma péssima campanha, Bala ainda destacou-se, marcando os únicos dois gols tricolores no torneio.

Bala sai do Santa com destino ao Cruzeiro, deixando um legado mais que positivo. O atleta fez 59 dos 181 gols do Tricolor desde que voltou, quase um terço do total. Conquistou títulos e ajudou a expor a marca do clube no país e o principal, foi algo que há muito tempo os tricolores não tinham, um ídolo de verdade, com carisma entre todas as idades, mas principalmente entre aqueles que garantirão a continuidade da Nação Tricolor, as crianças.

Por tudo isso, todos aqueles que fazem o Santa Cruz só têm a agradecer a Carlinhos Bala e lhe desejar sucesso nesse novo horizonte que lhe surge à frente. E que aquele grito nunca deixe de ecoar nas arquibancadas do Mundão: “Caaarrllliiiiinnnhhooosss Bala! Bala!”. Valeu, Bala!

Compartilhe:

Carlinhos: a bala do Arruda!

* Os comentários são de total responsabilidade dos internautas. Não toleramos mensagens contendo palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.