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Matéria Especial

Torcida tricolor, é hora de dar cartão vermelho ao Racismo

Publicado: sexta-feira,12 de maio de 2006
Por: Karlos Felipe

O futebol vive hoje um excelente momento. Adorado e praticado por multidões, contando com ídolos capazes de lances geniais, como Ronaldinho, Zidane, Henry e Kaká, gerando cifras milionárias e prestes a celebrar sua maior festa, a Copa do Mundo, o jogo inventado pelos ingleses cada dia que passa se consolida como o esporte mais popular do planeta.

No entanto, um problema vem começando a ofuscar todo esse brilho: o racismo. Considerado por muitos como um espelho da sociedade, o futebol também reflete em seus palcos esse mal social, tão vergonhoso para a civilização.

Em estádios do mundo todo, principalmente na Europa, manifestações racistas, dentro de campo e nas arquibancadas, vêm causando indignação naqueles que realmente amam o esporte. Em Pernambuco, infelizmente, não tem sido diferente.

Não tem sido raro ver em estádios pernambucanos, principalmente em clássicos, as torcidas dos três grandes clubes do Estado chamarem jogadores negros de “macaco” ou entoarem o infame grito: “Uh! Uh! Uh!”, quando esses atletas tocam na bola, principalmente se o jogador em questão for um ídolo como Carlinhos Bala, Geraldo, Cleisson ou Nilson.

Quem age dessa forma preconceituosa usa o termo “brincadeira” para definir o que faz. Outros se apóiam na ignorância, sequer vêem preconceito em sua atitude. Já a maioria usa o preconceito não com o objetivo primordial de atingir o homem, mas sim o adversário, o xingamento racista seria uma forma de denegrir o rival, em nome do amor ao próprio clube.

Atenta a esse e outros tipos de manifestação preconceituosa no futebol, a FIFA, no último dia 17 março, através de seu Comitê Executivo, aprovou uma emenda que tornou mais rígido o artigo 55 do código disciplinar da entidade, que trata do racismo.

Até então, as penas para atletas, dirigentes, torcedores ou clubes iam desde multas a partir de 10 mil francos suíços (R$ 16.861,40), suspensão por alguns jogos, banimento dos estádios por dois anos (torcedores) até a disputa de jogos com portões fechados.

Com o novo regulamento, qualquer clube cuja torcida se comportar de forma preconceituosa terá seu jogo suspenso, o que acarretará a perda de três pontos na primeira vez que o fato ocorrer, seis pontos na segunda e caso novos incidentes aconteçam, o clube será rebaixado e dependendo do caso, a equipe poderá ser desqualificada da competição.

A medida visa combater principalmente o racismo, mas ela não trata apenas desse tipo de preconceito. "Não é só preconceito racial, mas também com relação a sexo, idade ou qualquer um que for apurado", como declarou o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Rubens Approbato.

Nos países em que já havia legislação esportiva sobre o tema, caso do Brasil, as mudanças têm efeito imediato, nos demais países, a data limite para a implementação é 1º de Julho de 2006. As federações que descumprirem a lei poderão ser suspensas de competições internacionais por até dois anos.     

A CBF fez notórias as modificações no último dia 11 de abril, durante o congresso técnico referente à edição 2006 do Campeonato Brasileiro, no qual também foi anunciada a criação do quadro de observadores da arbitragem. A torcida pernambucana terá que ficar atenta a partir de agora, pois a falta de respeito, além de manchar a reputação do clube, terá conseqüências diretas na tabela.

Após o primeiro jogo da final do estadual deste ano, o árbitro gaúcho Leonardo Gaciba, que apitou a partida, alertou sobre as manifestações racistas das duas torcidas, quando os jogadores Carlinhos Bala e Geraldo tinham a posse da bola. Segundo Gaciba, caso o fato voltasse a ocorrer, dessa vez seria relatado em súmula, estando os clubes sujeitos às sanções previstas no novo regulamento.

Não há mais espaço para esse tipo de comportamento nos estádios, ou em qualquer outro setor da sociedade, o racismo é uma praga e deve ser banido. O torcedor pernambucano já vem se conscientizando, mas a mudança de comportamento ainda precisa ser mais abrangente.

O próprio torcedor tem que servir de vigia caso alguém persista com esse tipo de comportamento, assim como ocorre hoje quando alguém atira objetos no gramado. Mais que por medo da perda de pontos, ou do rebaixamento sumário, o racismo deve ser expulso do futebol, e da sociedade como um todo, em nome da boa educação e do respeito ao próximo. Torcida tricolor, faça sua parte, vamos expulsar essa praga chamada racismo dos nossos estádios.

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